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Tópico: Raul Seixas............

Mendigo.
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Raul dos Santos Seixas nasceu em Salvador, Bahia, em 28 de junho de 1945, filho de Raul Varella Seixas e Maria Eugênia Seixas. Filho da mesma região e geração que Gilberto Gil, Caetano Veloso e Gal Costa entre tantos outros que definiram o movimento chamado Tropicália, Raul teve ao contrário destes em sua infância maior contato e assimilação do rock and roll em virtude de ser vizinho e amigo de filhos de famílias americanas que trabalhavam para o consulado americano na Bahia. Tornou-se logo fã ardoroso de Elvis Presley, fundando aos 14 anos um fã-clube brasileiro do cantor (Elvis Rock Club). Engana-se porém quem pensa que Raul renegou a cultura brasileira adotando o rock and roll; odiava a bossa nova mas acrescentou ao seu rock elementos de música nordestina como o baião, xaxado, música brega.

Aluno relapso (repetiu várias vezes a segunda série ginasial) apesar de muito inteligente e leitor voraz, rapidamente se cansa da escola decidindo pela profissionalização como músico. Em 1962 em meio ao movimento bossa nova que explodia no Brasil, Raul monta sua primeira banda, Os Relâmpagos do Rock, que mais tarde teria seu nome mudado para The Panthers e finalmente Raulzito e os Panteras. Pela formação do grupo passaram entre outros além de Raul (vocal e guitarra), Thildo Gama, Perinho (guitarra), Mariano Lanat (baixo), Carleba (bateria). Logo abandona a faculdade de direito.
14:46 - 09/10/2006

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Respostas ao tópico: Raul Seixas............

Mendigo.
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17 de julho (1976)

O dia teima em amanhecer-me.
Os pombos da janela arrulham
Sem trazer-me o conforto
De uma mensagem audaz.
Desenho meus momentos
Sem ansiar por rimas.
Vozes veladas de veludo verde
Voa vento...
à vontade e despido
Nu ante as arquibancadas
Marina não se mostra
Oswaldo noctivagando...
Presa fácil da minha cerebro

tônica labilidade
à terrível lucidez do medíocre.
Negar que é pestilento, jamais.
O mais e o mesmo são valoráveis.
Porém da nada se extrai
Da média-ocridade
Idade da pedra.
Me incomoda
A dúvida que, mascarada em cão,
Ladra e morde enfermamente.

NÃO.
Não quero interferências banais
Interferindo no meu espírito.
14:47 - 09/10/2006 Apagar
Mendigo.
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Apesar dos pesares (1887/1988)

Vou gostar de você
Como gosto do mar
Mergulhar em você
Me perder
Me encontrar.

Ai, como é linda essa vida
Apesar da miséria
Apesar dessa fome
Aquele beijo com gosto de coca
O meu coração bate e toca
Vale a pena viver.
14:47 - 09/10/2006 Apagar
Mendigo.
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Areia da ampulheta (1981)

Eu sou a areia da ampulheta
O lado mais leve da balança
Cão vira-lata amordaçado
Fusca entre cadilacs
Morador do lado errado
Revólver de espoleta
Mais um do bloco dos sabotados
Da trovoada o pára-raios
Dos trovões
E lá vou eu , examinando
espionando
Vou tachado
Sou pesado - empacotado
rotulado
lacrado e despachado
numerado e condenado
censurado e ultrajado
Meu povo!
Como nos deixamos cair
em tamanha abjeção??
14:48 - 09/10/2006 Apagar
Mendigo.
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De Bom-Tom

O guia cita Caetano
Mostrando Santo Amargo,
as mãos em círculos
Tão dolente
Tão emoliente
Sob a chuva leve,
que filtra
É a água estelar destes versos
Murmura fluxo irrevogável
"Então, Senhor , Soa agradável?"
Um aceno de cabeça
"Sim, ... como não..."
Bahia tem má memória
Na discoteca dos burgueses agora
Deus em pessoa o determina
Caetano impresso em microssulcros
Agradável!
Tomar batida de limão
Enrolar um cigarro
e acompanhá-lo em voz alta
com langor.
Venerar Veloso
é de bom-tom!
Agradável?
Dos silos da memória
Tiro minhas lembranças,
não as suas
Veloso jamais te agradou
Estranho, como tudo mudou
Ele não se amoldava
ao umbral
Dos preceitos falsamente virtuosos
Ao contrário, abusava do fumo
Era para vocês amoral
Faço um julgamento em base?
Torces a cara...
Não é mesmo agradável?
14:49 - 09/10/2006 Apagar
Mendigo.
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Escravos da terra

A Terra deu tudo para o homem
água limpa , ar puro e alimentação
e chuvas que molhavam qualquer plantação
o mundo inteiro vivia em harmonia
a natureza perfeita, dia após dia
pintou o homem com o fogo na mão
criou carros , represas e armas de destruição
lá foi o ar e a água, contaminação
A Terra sabia transar com o homem
e agora os homens só podem ser

Escravos da Terra
para sobreviver
escravos da Terra
senão a terra vai botar pra foder
14:49 - 09/10/2006 Apagar
Mendigo.
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Eu sou apaixonado por você (1983)

Você não se penteia nem se pinta
- Eu sou apaixonado por você!
Você futuca a cara de espinha
- Eu sou apaixonado por você!
Você emagrece d'uma hora pra outra
- Eu sou apaixonado por você!
Engorda quando come macarrão
- Eu sou apaixonado por você!
Você é moça e tem bigode
- Eu sou apaixonado por você!
Você me crobra caro o seu amor
E nem é do tipo que eu gosto
- Eu sou apaixonado por você.
14:50 - 09/10/2006 Apagar
Mendigo.
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I Need Something (1979)

Yes, I need something
I always need something
If it's a love
Or if it's a drink
Oh hell, i don't know
I just need something.

Eu preciso de alguma coisa
Eu sempre preciso de alguma coisa
Se é um amor
Ou se é um drink
Ó diabo, eu não sei
Só sei que preciso de alguma coisa

Tá faltando alguma coisa
Sempre tá faltando alguma coisa
Se é de mudança
Se é de esperança
Ó diabo, não sei
Só sei que tá faltando alguma coisa

Essa insatisfação que a gente sente
Ou solidão permanente
Tem que estar faltando alguma coisa.
14:51 - 09/10/2006 Apagar
Mendigo.
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No espelho

Às vezes quando me olho no espelho
Sinto medo. Medo de mim.
Eu não me conheço
Sou esquisito, sou humano
Uso óculos, como, bebo, fumo
Defeco
Mijo
Olho-me no espelho
E esse dá-me de volta quem sou.
Eu rio. Alto.

Assustado e engraçado
Duas longas coisas saindo do corpo:
São braços, pêlos, peles, nariz pontiagudo
Duas orelhas presas na cabeça
Olho os dedos.

Meus olhos me assustam
Falo, sinto emoções e tomo cerveja
Ridícula coisa ali em pé frente ao espelho
Eu me vejo de fora.
Faço abstração mental de que eu nunca vi
Um ser humano e me vejo.

É esquisito.
É realmente esquisito.

Procuro-me no espelho
E não me acho. Só vejo aquilo ali.
Parado. Um monte de carnes equilibradas
por ossos duros que me mantêm em pé.
Ali.
No espelho. Eu sei que não sou aquilo
E o que eu sou, o espelho não pode
me mostrar...

AINDA... eu não brilho...
Ainda...
14:52 - 09/10/2006 Apagar
Mendigo.
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Pai nosso da terra (1981)

Pai nossa que estais na Terra
Simplificado seja o vosso nome
Está em mim o vosso reino
Que seja minha a vossa vontade
Bendito ou maldito
Se o que eu mato eu como
O pão nosso de cada dia
Dai sempre ao bom merecedor
Não perdoai ao devedor
Nem livrai o fraco do mal
Com vosso poder habitai na alma dos fortes
Senhor da máfia, deus dos deuses!
Pai nosso da Terra
Nada vos imploro, nada vos rezo
Mantende comigo vossa espada
Pai nosso da Terra!
Livrai-me da maldição dos fracos

AMÉM.
14:52 - 09/10/2006 Apagar
Mendigo.
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Para O Estadão (1983)

Está na praça, já chegou
O dicionário do censor
Desde A até o Z
Tem o que você pode ou não dizer
Antes de pôr no papel
O que você pensou
Veja se na sua frase
Tem uma palavra que não pode
Você não queria assim... mas que jeito?
O dicionário do censor
É que decide , não o autor
Um exemplo pra você
Se na página do "P"
Não consta a palavra "povo"
É porque essa não pode
Vê se no "o" tem escrito "ovo"
Ovo pode...
Se o sentido não couber
Esqueça , risque tudo, compositor
Seu dever é decorar
As que pode musicar
No dicionário da censura
Nem botaram "dentadura"...
14:53 - 09/10/2006 Apagar
Mendigo.
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Poema inédito (sem título)

Já não importa
a falta
já não importa
a porta
já não importa
a comporta
que segura sua ira
o comportamento lamento lento
do apartamento morto
sem janelas
já não importa
a horta da hortelã
a escada de incêndio
do meu peito em chamas
já não importa
a infância fechada
a ferida aberta
que nunca cicatriza
a brase acesa do cigarro aceso
queimando eternamente
a minha carne
mas ainda assim...
já não importa
14:55 - 09/10/2006 Apagar
Mendigo.
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continuando..........

já não importa
a presença
a sentença
o que me importa
é esse não me importar constante
a estante
o instante
o segundo/ o primeiro
quero ser o último da sala
de jantar
o último da fila da repartição
o último a morder o pão
nosso de cada dia
e o primeiro a morder sua bochecha
chocha cheia de fumaça
verde pálido
mas mesmo assim
já não interessa
a pressa
não importa
o salário
o mendigo morto
a baba , afogado no mar de merda
já não importa a falta que o travesseiro me faz
já não me importa sua cara de bronze
seu cu fedorento
que peida escondido
a careta que eu faço no espelho
já não tem graça nenhuma
não importa o que eu quero
é estar presente
no dia e na hora
no minuto e no segundo
e no lugar que eu peidar em sua presença.
14:56 - 09/10/2006 Apagar

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