A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida Que eu to ficando craque em ressurreição Bobeou eu tô morrendo, Na minha extrema-unção Na minha medíocre falta de inspiração Ah, que enfado é não ter um coração!
Deixar que tudo siga o vento O não tocar a palavra e a maciez da sonoridade Seria pra mim o acalento
Da rima doce, do beijo de café Do escrever bem de mansinho, tipo Patativa do Assaré Que sempre domou o dizer, tudo à rédeas curtas, sem dúvida do ser ou não ser correndo solto o pensamento, a mão, o corpo, o riso, o choro, o vento...
E de repente assim levanto, bato a poeira da idéia Vejo quanta sujeira, assim eu brinco De dizer ou de se calar Do escrever ou do não amar Do vento seco e da falta que me faz o barulho do mar...
E das dores que sinto agora Do vazio que existe ao lado O sentimento vagueia sem rumo Ora brinca, ora chora Dizendo: Viva! Você tem o mundo! O sol, o céu, o mar Tem você mesma, tem o pensar.
E se por acaso tanta coisa não tiver fim Por favor, não se esqueça Coloque um ponto final, por mim.
10:06 - 29/09/2006
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