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Tópico: Piedade Araújo Sol

LaLi
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Piedade Araújo Sol,nasceu na cidade de Santa Cruz na Ilha da Madeira. Reside na cidade do Funchal, onde desempenha a sua profissão como Chefe de Serviços Administrativos numa empresa privada.
Não tem livros editados mas tem cerca de duas centenas de trabalhos publicados em revistas e jornais, nomeadamente poesia, prosa, crónicas, artigos de opinião, sendo o seu forte a poesia.
Actualmente é colaboradora assídua de um site de literatura na Internet, e esporadicamente participa em vários blogues.
Escreve desde muito nova, mas nunca concorreu a nenhum concurso literário.
Costuma dizer quem tem um “amante” que é a escrita e todos os dias escreve algo nem que seja um simples pensamento que lhe ocorra.
É do signo virgem e é muito voltada para as artes. Gosta de ler, desenhar, pintar, nadar. É uma pessoa simples, mas de forte personalidade, que sabe o que quer e para onde quer ir.
Perdeu o pai muito nova e isso marcou-a muito. As pessoas que mais admira e admirou foram o seu pai, a sua mãe e a Professora Emília que foi quem lhe ministrou o Ensino Básico.

www.olharemtonsdemaresia.blogspot.com
14:57 - 14/06/2006

Respostas ao tópico: Piedade Araújo Sol

LaLi
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Cai a noite

Cai a noite
seu manto estrelado
cobre minha placidez

Minha mão ágil
escreve nas entrelinhas
que se interpelam de doçura

As estrelas cúmplices
dos meus devaneios
sorriem na noite

Cai a noite
e respiro o ar
com cheiro de maresia

© Piedade Araújo Sol
14:57 - 14/06/2006 Apagar
LaLi
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Esperança

Com ferocidade as palavras
saíram
assim sem se vaticinar
ditas
sem dó nem misericórdia
articuladas
abertamente
com golpes certeiros
cavados
gota a gota
formando um barranco
desbravando
momentos sentidos

Estou nua
as palavras despiram-me
e o silêncio
que se desmoronou fulminou
a minha
esperança

© Piedade Araújo Sol
14:58 - 14/06/2006 Apagar
LaLi
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Fantasmas


Durante muito tempo guardei-te ali num espaço clandestino do meu cérebro, arrumado…embrulhado em papel celofane para não se estragar, mas bem guardado para não mais ser recordado.
Mas … hoje esta chuva que caiu sobre a cidade, fez-te submergir qual vulcão, transformado em fantasma para me povoar os pensamentos. Chegaste assim repentinamente a exigir o teu lugar como se tivesses ou fosse um direito teu adquirido.
Pensei que nunca mais te voltaria a te tirar daquele espaço, e afinal… tu saltaste as barreiras e rompeste os laços que te prendiam e vieste ocupar o teu lugar e descansar na cadeira de couro defronte da lareira acesa, onde, e por estar um dia frio crepitava um lume forte e quente.
Foste à cave e regressaste com uma garrafa de vinho tinto que abriste com o saca-rolhas de prata, aquele que tem cunhado o brasão de família, e sentaste-te na cabeceira da mesa da sala de jantar. Olhei-te e tu sorriste-me.....(segue)
14:59 - 14/06/2006 Apagar
LaLi
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Encheste de vinho um copo de cristal de pé alto e disseste com a tua voz forte.
-Bebe comigo…do mesmo copo.
Fiquei atónita, tu sabias que eu nunca bebia, mas disseste porque sabias que naquele momento eu fazer-te-ia a vontade.
Peguei no copo e humedeci os lábios simplesmente
Tu repetiste afagando-me os cabelos, soltos e macios.
-Bebe mais um pouco! E eu bebi mais um gole
Tu levantaste-te, pegaste na minha mão e sentaste-me no teu colo como se fosse eu tua presa e tu, meu predador, ali afagando-me os cabelos e sorvendo o vinho em pequenos goles, enquanto me acariciavas os cabelos e a nuca
Quando acabaste de beber o que continha no copo, pegaste-me ao colo e subiste para o nosso quarto e como se fosse uma princesa depositaste-me na cama de dossel, com muito carinho e ternura e retiraste-me a roupa peça por peça
Ficaste ali enternecido olhando-me. ....(segue)
15:02 - 14/06/2006 Apagar
LaLi
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Nesse momento abri os meus braços e abracei-te com todas as minhas forças, e quando nossos corpos se uniram num só, eu pedi a Deus que me levasse naquele momento para o céu: eu e tu.
Mas…quando acordei, constatei estar só, o lado direito da cama estava frio e vazio e verifiquei estar sozinha naquele casarão imenso.
Levantei-me, desci as escadas lentamente e dirigi-me à sala, a lareira encontrava-se já apagada mas com vestígios de brasas incandescentes.
Sobre a mesa encontrava-se uma garrafa de vinho aberta e um copo com um resto de vinho no fundo, e uma leve mancha de batom cor-de-rosa no cimo.
Fechei a garrafa com o resto do vinho, não lavei o copo, guardei-o assim no armário da casa de jantar.
...(segue)
15:03 - 14/06/2006 Apagar
LaLi
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Hoje passados dezasseis anos, retirei da arca uma toalha de linho que pertenceu à minha avó estendi-a sobre a mesa e pus os candelabros de prata, abri o armário, retirei a garrafa, lavei o copo, e coloquei-os na mesa.
Não sei porquê… mas algo me diz que hoje voltarás e ambos acabaremos de beber o vinho que sobrou.
Coloquei acendalhas e acendi a lareira. E sem saberes sequer porquê, estou aqui à tua espera….

© Piedade Araújo Sol
15:03 - 14/06/2006 Apagar
ÞerÞetµal night
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Indice das publicações da Poeta Piedade Araújo Sol neste Tópico:
- Cai a noite
- Esperança
- Fantasmas
23:18 - 25/06/2006 Apagar
*caipira®*
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O Silêncio (Piedade Araújo Sol)

Silêncio
Nas palavras
Nos olhares
Na esperança
Silêncio
Num futuro incerto
Numa promessa muda
Num momento
Silêncio
Num dia qualquer
Num sorriso
Que vale mais que todas
As palavras possíveis do mundo
20:48 - 06/07/2006 Apagar
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Cai o Pano

Como um espectro
penetras na noite taciturna
e gotejando por entre os dedos
saem letras, calculos
algarismos e fracções

Papeis brancos timbrados
papeis lisos ou amarrotados
que ficam impecavelmente
escriturados em letra fina
preenchidos com numeros redondos

Entre espasmos de isolamento
a madrugada desponta
e o céu pincelado de sangue
te ilumindando a vidraça
e o palco do teu desânimo

Piedade Araujo sol
12:49 - 30/10/2006 Apagar



 
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