Sophia nasceu no Porto, em 1919, no seio de uma família aristocrática. A sua infância e adolescência decorrem entre o Porto e Lisboa, onde cursou Filologia Clássica. Após o casamento com o advogado Francisco Sousa Tavares, fixa-se em Lisboa, passando a dividir a sua actividade entre a poesia e o activismo cívico contra a ditadura de Salazar, que então dominava o país. As duas actividades não são, no entanto, separáveis: se por um lado é sócia fundadora da "Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos", a poesia ergue-se também como uma voz da liberdade, especialmente em O Livro Sexto. A sua intervenção cívica é uma constante, mesmo após a Revolução de Abril de 1974, tendo sido Deputada à Assembleia Constituinte pelo Partido Socialista. Sophia de Mello Breyner Andresen garimpa no burburinho do dia-a-dia o momento solene. Como ela mesma diz, ''o poeta é um escutador'' e o leitor também, é preciso escapar do tempo e penetrar no silêncio. Antes de saber ler, a porta portuguesa já ouvia versos, e, aos 3 anos, sabia de cor a Nau Catarineta. Ela conta que se surpreendeu quando soube que tinham sido escritos e havia autores por trás dos poemas. ''Eu era de fato tão nova que nem sabia que os poemas eram escritos por pessoas, mas julgava que eram consubstanciais ao universo, que eram a respiração das coisas, o nome deste mundo dito por ele próprio'', revelou. Sophia, como era universalmente referida em Portugal, fazia parte, quando de seu muito recente falecimento, de uma espécie de grupo canônico, indiscutido, clássico, dos grandes poetas portugueses vivos, em companhia de Herberto Helder, de Eugénio de Andrade, de António Ramos Rosa, de Mário Cesariny, talvez de muitos poucos outros. Mais velha deles todos, era ainda o grande nome feminino da poesia portuguesa contemporânea.
Seus poemas...
10:06 - 13/06/2006
Sua senha é secreta. Nenhum funcionário do UOL está autorizado a solicitá-la. Regras de uso. | Crimes virtuais: denuncie