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Tópico: Castro Alves

Mendigo.
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O "Adeus" de Teresa

A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus
E amamos juntos E depois na sala
"Adeus" eu disse-lhe a tremer co'a fala

E ela, corando, murmurou-me: "adeus."

Uma noite entreabriu-se um reposteiro. . .
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus
Era eu Era a pálida Teresa!
"Adeus" lhe disse conservando-a presa

E ela entre beijos murmurou-me: "adeus!"

Passaram tempos sec'los de delírio
Prazeres divinais gozos do Empíreo
... Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse - "Voltarei! descansa!. . . "
Ela, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me: "adeus!"

Quando voltei era o palácio em festa!
E a voz d'Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! Ela me olhou branca surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!

E ela arquejando murmurou-me: "adeus!"

Castro Alves
10:58 - 11/05/2006

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Respostas ao tópico: Castro Alves

Mendigo.
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A Duas Flores

São duas flores unidas,
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
Das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bom como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rodas da vida,
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

Castro Alves
10:59 - 11/05/2006 Apagar
Mendigo.
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A Uma Taça Feita de Um Crânio Humano

Não recues! De mim não foi-se o espírito...
Em mim verás - pobre caveira fria -
Único crânio que, ao invés dos vivos,
Só derrama alegria.

Vivi! amei! bebi qual tu: Na morte
Arrancaram da terra os ossos meus.
Não me insultes! empina-me!... que a larva
Tem beijos mais sombrios do que os teus.

Mais val guardar o sumo da parreira
Do que ao verme do chão ser pasto vil;
- Taça - levar dos Deuses a bebida,
Que o pasto do réptil.
11:00 - 11/05/2006 Apagar
Mendigo.
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continuação....
Que este vaso, onde o espírito brilhava,
Vá nos outros o espírito acender.
Ai! Quando um crânio já não tem mais cérebro
...Podeis de vinho o encher!

Bebe, enquanto inda é tempo! Uma outra raça,
Quando tu e os teus fordes nos fossos,
Pode do abraço te livrar da terra,
E ébria folgando profanar teus ossos.

E por que não? Se no correr da vida
Tanto mal, tanta dor aí repousa?
É bom fugindo à podridão do lodo
Servir na morte enfim p'ra alguma coisa!...

Lord Byron (tradução de Castro Alves)
11:00 - 11/05/2006 Apagar
ÞerÞetµal night
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Antonio Frederico de Castro Alves nasceu em 14 de março de 1847 em Curralinho, na Bahia. Em 1862 foi para o Recife com o intuito de estudar Direito. Lá, além de iniciar o seu romance com a atriz portuguesa Eugênia Câmara, percebe também os primeiros sintomas da tuberculose.

Em 1864, após ser reprovado nos primeiros exames necessários para a admissão na faculdade, ingressa na Faculdade de Direito, porém dedica-se mais à poesia do que aos estudos. Nesse período conhece Tobias Barreto, a quem tanto admirava e cujas idéias liberais passou a seguir.

Em 1867 abandona definitivamente o Recife e vai para Salvador, onde é encenada a peça "Gonzaga" ou "Revolução de Minas" de sua autoria.
No período em que viveu (1847-1871), ainda existia a escravidão no Brasil. O jovem baiano, simpático e gentil, apesar de possuir gosto sofisticado para roupas e de levar uma vida relativamente confortável, foi capaz de compreender as dificuldades dos negros escravizados.
10:11 - 23/06/2006 Apagar
Mendigo.
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150 anos de nascimento de Antonio de Castro Alves...

A 14 de março de 1847, na fazenda Cabaceiras, Muritiba (BA), nasceu Antônio de Castro Alves, o maior poeta condo reiro e o último do Romantismo brasileiro.

Tendo feito o curso de Humanidades em Salvador, seguiu, em 1862, para Recife, ingressando na sua tradicional Faculdade de Direito. Cedo se destacou na capital pernambu cana como poeta envolvido nas causas liberais e aboli cionistas da mocidade acadêmica do seu tempo.

Fazendo parte da geração romântica nacional, Castro Alves expressou, como poucos, os ideais da epoca eni que viveu, embalado pela generosidade do seu coração e o impeto ardente do seu gênio.

Na Faculdade de Direito de Recife foi colega de turma de Tobias Barreto, também poeta condoreiro, com quem pole mizou em marcantes tertúlias literárias. Naquela capital, teve Castro Alves oportunidade de conhecer a atriz Eugênia Câmara, sua musa maior e a mais vigorosa paixâo de sua vida.
10:36 - 02/07/2006 Apagar
Mendigo.
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continuação....

Em 1867, Castro Alves deixa definitivamente Recife e, acompanhado de Eugênia, chega a Salvador onde se entrega ao teatro, a música e as letras, deixando à margem seus estu dos juridicos.

Em 7 de setembro de 1867, no Teatro São João, em Salvador, estréia o drama Gonzaga ou a Revolução de Minas, único texto teatral do poeta, tendo Eugênia Câmara atuando como principal atriz.

Parte Castro Alves para São Paulo, em companhia de Eugênia, e matricula-se na Faculdade de Direito, onde é rece bido com calorosa simpatia, tanto pela mocidade acadêmica quanto pela imprensa. "Nesse ano (1868) conquista a con sagração de primeiro poeta brasileiro do seu tempo e é aprovado plenamente nas matriculas do 3o ano jurídico", confornie escreveu Silio Boccanera Junior.

Em viagem ao Rio de Janeiro, conhece José de Alencar e Machado de Assis, tendo este último sobre ele assim escrito:
10:38 - 02/07/2006 Apagar
Mendigo.
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continuação...
"Achei um poeta original... A musa do Sr. Castro Alves tem feição própria". Naquele mesmo ano (1868) separou-se defi nitivamente de Eugênia Câmara, triste desfecho de um caso de amor que o fez mergulhar em profunda melancolia.

Contain que, para distrair-se, passa a dedicar-se a caçadas, tendo numa delas, ferido o pé acidentalmente com a espingarda que portava. E levado ao Rio, onde teve o pé amputado, fato que coadunou coin o agravainento de sua doença.

Volta à Bahia silencioso e alquebrado... trazendo por única ambição a esperança de inorrer entre os seus! Em Salvador, ocupa-se em organizar "Espuinas Flutuantes", o único dos seus livros publicado em vida.

AIéin da vertente lírica, expressa pelas feições ainorosa e naturista, foi notável poeta épico social. Seus versos em favor da causa abolicionista conferirain-Ihe o cognoine de Poeta dos Escravos.
10:40 - 02/07/2006 Apagar
Mendigo.
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continuação...
Tendo falecido em Salvador, em 6 de julho de 1871, aos 24 anos de idade, recebeu de todo o Pais a consagração de maior poeta do seu tempo e um dos inaiores da literatura nacional.



CONSUELO PONDE DE SENA Presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e da Coinissão dos 150 Anos do Nasciinento de Castro Alves
10:41 - 02/07/2006 Apagar
ÞerÞetµal night
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Índice das publicações do Poeta Castro Alves, neste tópico:

1. 150 anos do nascimento de Antonio de Castro Alves
2. A uma Taça Feita de Um Crânio Humano
3. As duas flores
4. Biografia
5. “adeus” de Teresa
12:21 - 30/08/2006 Apagar
Mendigo.
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Último abraço


"FILHO, ADEUS! Já sinto a morte,
Que me esfria o coração.
Vem cá... Dá-me tua mão...
Bem vês que nem mesmo tu
Podes dar-lhe novo alento!...
Filho, é o último momento...
A morte — a separação!
Ao desamparo, sem ninho,
Ficas, pobre passarinho,
Neste deserto profundo,
Pequeno, cativo e nu!...

"Que sina, meu Deus! que sina
Foi a minha neste mundo!
Presa ao céu — pelo desejo,
Presa à terra — pelo amor!...
Que importa! é tua vontade?
Pois seja feita, Senhor!
"Pequei!... foi grande o meu crime,
Mas é maior o castigo...
Ai! não bastava a amargura
Das noites ao desabrigo;
De espedaçaram-me as carnes
O tronco, o açoite, a tortura,
De tudo quanto sofri.
Era preciso mais dores,
Inda maior sacrifício...
Filho! bem vês meu suplício...
Vão separar-me de ti!
16:29 - 01/09/2006 Apagar
Mendigo.
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continua.........
"Chega-te perto... mais perto;
Nas trevas procura ver-te
Meu olhar, que treme incerto,
Perturbado, vacilante...
Deixa em meus braços prender-te
P'ra não morrer neste instante;
Inda tenho que fazer-te
Uma triste confissão...
Vou revelar-te um segredo
Tão negro, que tenho medo
De não ter o teu perdão!...

Mas não!
Quando um padre nos perdoa,
Quando Deus tem piedade
De um filho no coração
Uma mãe não bate à toa.
16:30 - 01/09/2006 Apagar
Mendigo.
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A tarde


Era a hora em que a tarde se debruça
Lá da crista das serras mais remotas...
E d'araponga o canto, que soluça,
Acorda os ecos nas sombrias grotas;
Quando sobre a lagoa, que s'embuça,
Passa o bando selvagem das gaivotas ...
E a onça sobre as lapas salta urrando,
Da cordilheira os visos abalando.

Era a hora em que os cardos rumorejam
Como um abrir de bocas inspiradas,
E os angicos as comas espanejam
Pelos dedos das auras perfumadas ...
A hora em que as gardênias, que se beijam,
São tímidas, medrosas desposadas;
E a pedra... a flor... as selvas ... os condores
Gaguejam... falam... cantam seus amores!

Hora meiga da Tarde! Como és bela
Quando surges do azul da zona ardente!
... Tu és do céu a pálida donzela,
Que se banha nas termas do oriente...
Quando é gota do banho cada estrela.
Que te rola da espádua refulgente...
E, — prendendo-te a trança a meia lua,
Te enrolas em neblinas seminua!...
16:31 - 01/09/2006 Apagar

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