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Tópico: Ruy Belo

Mendigo.
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Contigo aprendi coisas tão simples como
a forma de convívio com o meu cabelo ralo
e a diversa cor que há nos olhos das pessoas
Só tu me acompanhastes súbitos momentos
quando tudo ruía ao meu redor
e me sentia só e no cabo do mundo
Contigo fui cruel no dia a dia
mais que mulher tu és já a minha única viúva
Não posso dar-te mais do te dou
este molhado olhar de homem que morre
e se comove ao ver-te assim presente tão subitamente
21:56 - 07/05/2006

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Respostas ao tópico: Ruy Belo

Mendigo.
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Este céu passará e então
teu riso descerá dos montes pelos rios
até desaguar no nosso coração
21:57 - 07/05/2006 Apagar
Mendigo.
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É triste ir pela vida como quem
regressa e entrar humildemente por engano pela morte dentro
21:57 - 07/05/2006 Apagar
Mendigo.
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Digam que foi mentira, que não sou ninguém,
que atravesso apenas ruas da cidade abandonada
fechada como boca onde não encontro nada:
não encontro respostas para tudo o que pergunto nem
na verdade pergunto coisas por aí além
Eu não vivi ali em tempo algum
21:58 - 07/05/2006 Apagar
Mendigo.
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Mesmo que não conheças nem o mês nem o lugar
caminha para o mar pelo verão
21:58 - 07/05/2006 Apagar
Mendigo.
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Amei a mulher amei a terra amei o mar
amei muitas coisas que hoje me é difícil enumerar
De muitas delas de resto falei
21:59 - 07/05/2006 Apagar
Mendigo.
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Ver-te é como ter á minha frente todo o tempo
é tudo serem para mim estradas largas
estradas onde passa o sol poente
é o tempo parar e eu próprio duvidar mas sem pensar
se o tempo existe se existiu alguma vez
e nem mesmo meço a devastação do meu passado
21:59 - 07/05/2006 Apagar
Mendigo.
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Tem o amor a arte de tornar eterno
aquele que por amor tem de morrer
e até de morrer jovem amiúde pois os deuses amam
aquele que perece em plena juventude
e assim se fixa petrifica e permanece
22:00 - 07/05/2006 Apagar
Mendigo.
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Nomeei-te no meio dos meus sonhos
chamei por ti na minha solidão
troquei o céu azul pelos teus olhos
e o meu sólido chão pelo teu amor
22:00 - 07/05/2006 Apagar
Mendigo.
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e um olhar perdido é tão difícil de encontar
como o é congregar ventos dispersos pelo mar
22:01 - 07/05/2006 Apagar
Mendigo.
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Para a dedicação de um homem

Terrível é o homem em quem o senhor
desmaiou o olhar furtivo das searas
ou reclinou a cabeça
ou aquele disposto a virar decisivamente a esquina
Não há conspiração de folhas que recolha
a sua despedida. Nem ombro para o seu ombro
quando caminha pela tarde acima
A morte é a grande palavra para esse homem
não há outra que o diga a ele próprio
É terrível ter o destino
da onda anónima morta na praia
22:01 - 07/05/2006 Apagar
ÞerÞetµal night
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Poeta e ensaísta português, natural de São João da Ribeira, Rio Maior. Nascido em 1933. Morreu em 1978.

*Breve Sonata em Sol [UM] (Menor, Claro)*

A solidão da árvore sozinha
no campo do verão alentejano
é só mais solitária do que a minha
e teima ali na terra todo o ano
quando nem chuva ou vento já lhe fazem companhia
e o calor é tão triste como o é somente a alegria
Eu passo e passo muito mais que o próprio dia
**************************************************************
19:07 - 08/05/2006 Apagar
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P O V O A M E N T O

No teu amor por mim há uma rua que começa
Nem árvores nem casas existiam
antes que tu tivesses palavras
e todo eu fosse um coração para elas
Invento-te e o céu azula-se sobre esta
triste condição de ter de receber
dos choupos onde cantam
os impossíveis pássaros
a nova primavera
Tocam sinos e levantam voo
todos os cuidados
Ó meu amor nem minha mãe
tinha assim um regaço
como este dia tem
E eu chego e sento-me ao lado
da primavera

Ruy Belo, Aquele Grande Rio Eufrates
Lisboa, Editorial Presença, 1996 (5ª ed.)
10:30 - 16/08/2006 Apagar

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