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Tópico: *Gilka Machado*

ÞerÞetµal night
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"A forma ousada dos seus versos, de um ritmo livre e bastante pessoal, harmoniza-se com a liberdade de inspiração, onde predomina um forte sensualismo, tão forte que Humberto de Campos notava-lhe nos poemas verdadeiras 'tempestades de carne'... Seus livros provocavam, simultaneamente, admiração e escândalo, já que a poetisa confessava sentir pêlos no vento', desejava penetrar o amado 'pelo olfato, assim como as espiras/invisíveis do aroma...' e declarava, sem rebuços: 'Eu sinto que nasci para o pecado'."

Góes, Fernando [1960]. Gilka da Costa Melo Machado. In: ___. Panorama da poesia brasileira: o pré-modernismo. v.5, p.165.



"(...) Gilka Machado foi a maior figura feminina de nosso Simbolismo, em cuja ortodoxia se encaixa com seus dois livros capitais, Cristais Partidos e Estados de Alma. Nem sua ousadia tinha impureza, mas punha à mostra a riqueza de seus sentidos, especialmente de um pouco explorado em poesia, o tato. Sua sensibilidade é requintada, algo excêntrica, mas profundamente feminina."

Ramos, Péricles Eugênio da Silva [1965]. Gilka Machado. In: ___. Poesia simbolista: antologia. p.209.

Um pouco de Gilka... eu amo Gilka !!!
10:47 - 18/04/2006

Respostas ao tópico: *Gilka Machado*

ÞerÞetµal night
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*Ser mulher *

Ser mulher, vir à luz trazendo a alma talhada
para os gozos da vida, a liberdade e o amor,
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior...

Ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor,
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um Senhor...

Ser mulher, calcular todo o infinito curto
para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais...

Ser mulher, e oh! atroz, tantálica tristeza!
ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais!

*Gilka Machado*
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10:49 - 18/04/2006 Apagar
ÞerÞetµal night
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***O retrato fiel***



Não creias nos meus retratos,
nenhum deles me revela,
ai, não me julgues assim!


Minha cara verdadeira
fugiu às penas do corpo,
ficou isenta da vida.


Toda minha faceirice
e minha vaidade toda
estão na sonora face;


naquela que não foi vista
e que paira, levitando,
em meio a um mundo de cegos.


Os meus retratos são vários
e neles não terás nunca
o meu rosto de poesia.


Não olhes os meus retratos,
nem me suponhas em mim.


[Gilka Machado ("roubado" do mais novo blog da £aramja £ima. Achei lindo. O endereço: http://lalilaranjalima.zip.net)]
16:35 - 30/05/2006 Apagar
ÞerÞetµal night
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Saudade


De quem é esta saudade
que meus silêncios invade,
que de tão longe me vem?



De quem é esta saudade,
de quem?




Aquelas mãos só carícias,
Aqueles olhos de apelo,
aqueles lábios-desejo...




E estes dedos engelhados,
e este olhar de vã procura,
e esta boca sem um beijo...




De quem é esta saudade
que sinto quando me vejo?


[Gilka Machado (in Velha poesia, 1965)]


20:26 - 02/06/2006 Apagar
ÞerÞetµal night
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Indice de publicações da Poeta Gilka Machado neste Tópico:
- O retrato fiel
- Saudade
- Ser Mulher
- Um poouco de Gilka
12:44 - 24/08/2006 Apagar
ÞerÞetµal night
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Esboço


Teus lábios inquietos
pelo meu corpo
acendiam astros...
e no corpo da mata
os pirilampos
de quando em quando,
insinuavam
fosforecentes carícias...
e o corpo do silêncio estremecia,
chocalhava,
com os guizos
do cri-cri osculante
dos grilos que imitavam
a música de tua boca...
e no corpo da noite
as estrelas cantavam
com a voz trêmula e rútila
de teus beijos...


(in Sublimação, 1928)
23:26 - 24/02/2009 Apagar



 
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