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Tópico: *Hilda Hilst*

ÞerÞetµal night
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"O escritor e seus múltiplos vem vos dizer adeus.

Tentou na palavra o extremo-tudo

E esboçou-se santo, prostituto e corifeu. A infância

Foi velada: obscura na teia da poesia e da loucura.

A juventude apenas uma lauda de lascívia, de frêmito

Tempo-Nada na página.

Depois, transgressor metalescente de percursos

Colou-se à compaixão, abismos e à sua própria sombra.

Poupem-no o desperdício de explicar o ato de brincar.

A dádiva de antes (a obra) excedeu-se no luxo.

O Caderno Rosa é apenas resíduo de um "Potlatch".

E hoje, repetindo Bataille:

"Sinto-me livre para fracassar"."

Hilda Hilst

Precisa dizer mais? Seus poemas falaram por si. Eu amo Hilda Hilst.
12:34 - 29/03/2006

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Respostas ao tópico: *Hilda Hilst*

ÞerÞetµal night
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E por que haverias de querer minha alma

Na tua cama?

Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas

Obscenas, porque era assim que gostávamos.

Mas não menti gozo prazer lascívia

Nem omiti que a alma está além, buscando

Aquele Outro. E te repito: por que haverias

De querer minha alma na tua cama?

Jubila-te da memória de coitos e de acertos.

Ou tenta-me de novo. Obriga-me.

(Do Desejo - 1992)

Site da poeta: http://www.angelfire.com/ri/casadosol/hhilst.html
12:41 - 29/03/2006 Apagar
ÞerÞetµal night
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Aqui um presentinho da Replicante Raquel que ficou perdido entre os recados mas que achei valer a pena partilhar com os que amam Hilda....
***
“Para onde vão os trens meu pai? Para Mahal, Tamí, para Camirí, espaços no mapa, e depois o pai ria: também pra lugar algum meu filho, tu podes ir e ainda que se mova o trem tu não te moves de ti “

(Hilda Hilst : Tu não te moves de ti)

Feliz Páscoa da Ressurreição, Noite perpétua!
11:44 - 15/04/2006
***
Obrigada Replicante Raquel... Minha Páscoa foi de Ressureição, como deveriam ser todos os dias de nossa vida. Espero que a tua tb.
Beijos.
10:59 - 18/04/2006 Apagar
Replicante Raquel
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Noite Perpétua. Obrigada pela homenagem à viagem interna de cada um e a Hilda Hilst. Nunca me esqueci deste trecho, li Tu não te afastas de ti há quase 24 anos e desde então fiz algumas viagens físicas fora e muitas para dentro de mim e sempre encontro o mesmo trem.
Minha Páscoa cristã foi de ressurreição e a judaica de júbilo pela saída do Egito como escrava. Abraço. RR (agora vou ler suas outras lembranças de Hilda H.)
15:11 - 18/04/2006 Apagar
Replicante Raquel
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Também amo HH. Amo principalmente isto: "Poupem-no o desperdício de explicar o ato de brincar." Viva!
15:13 - 18/04/2006 Apagar
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Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas
escomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te
ôfrega
Como se fosses morrer colado à
minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do
amanhecer.
19:59 - 06/05/2006 Apagar
ÞerÞetµal night
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Os tópicos que se seguem a este foram postados pelo nosso amigo e poeta "Mendigo".
É um acervo completo da vida e obra de Hilda Hilst seguido ainda de alguns poemas que ainda não estão aqui.
Agradecemos mais essa contribuição imperdível do nosso amigo.
Ao Mendigo nosso carinho e amnizade.

[os tópicos seguintes foram postados por: Mendigo em 20 de maio de 2005]

Com vcs.. Hilda Hilst em sua plenitude e glória:
11:34 - 07/06/2006 Apagar
ÞerÞetµal night
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Filha do fazendeiro e poeta Apolonio de Almeida Prado Hilst, Hilda nasceu na cidade de Jaú, em uma família rica do interior paulista. Seu pai morreu esquizofrênico aos 35 anos, o que fez com que Hilda optasse por não ter filhos, uma vez que um médico lhe teria dito que a doença atacava geração sim, geração não. As pessoas que conviveram com a poeta a descrevem como uma pessoa deslumbrante, generosa, dona de palavras ácidas, íntegra e culta. Na juventude, foi tida como uma das mulheres mais bonitas de sua geração. “Mistura da beleza de Ingrid Bergman e da sensualidade de Rita Hayworth”, descreve o editor Massao Ohno. A beleza e a personalidade forte tocaram também Carlos Drummond de Andrade, que dedicou um poema a ela (veja reprodução do poema acima). Hilda foi musa de artistas, poetas – Vinicius de Moraes chegou a se apaixonar por ela – e intelectuais. Foi amiga de Lygia Fagundes Telles – “até o fim da vida”, afirma Lygia –
(continua...)
11:37 - 07/06/2006 Apagar
ÞerÞetµal night
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...
e, com seu comportamento avançado, sempre chocava a sociedade paulistana em meados da década de 50. 08:27 - Entre as muitas histórias que sua biografia revela, diverte aos amigos lembrar do namoro com o ator norte-americano Dean Martin (aquele mesmo, famoso parceiro do comediante Jerry Lewis) e a tentativa, frustrada, de seduzir Marlon Brando. “Em Hilda tudo era extremado”, lembra a professora Nelly Novaes Coelho, apresentada à escritora por Lygia Fagundes Telles. “A tudo que fazia, entregava-se de corpo inteiro. Não conseguia o meio-termo, virtude rara que, se por um lado deixou o mundo maior e mais belo do que quando nele chegou, por outro lhe causou contínuos dissabores e problemas. Pois a vida comum exige o meio-termo, o disfarce...”
Hilda Hilst morreu em (4/2/2004), de falência múltipla dos órgãos, depois de uma queda em que fraturou o fêmur. Os jornais trarão certamente a biografia e alguns poemas de Hilda; dirão da grandeza de seu texto desconcertante,
(continua...)
11:40 - 07/06/2006 Apagar
ÞerÞetµal night
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de sua beleza enigmática quando jovem, de sua desistência de quase tudo em favor da literatura, de sua solidão, de sua
desistência de quase tudo em favor da literatura, de sua solidão, de sua dezena de cães, de sua bem-comportada loucura, etc.

VIDA
Nasceu em Jaú, São Paulo, aos 21 de Abril de 1930. Em 1948, entrou para a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco), formando-se em 1952. Em 1966, mudou-se para a Casa do Sol, uma chácara próxima a Campinas (SP), onde ainda reside. Ali dedica todo seu tempo à criação literária.

Poeta, dramaturga e ficcionista, Hilda Hilst escreve há quase cinqüenta anos, tendo sido agraciada com os mais importantes prêmios literários do país. Participa, desde 1982, do Programa do Artista Residente, da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP.

Seu arquivo pessoal foi comprado pelo Centro de Documentação Alexandre Eulálio, Instituto de Estudos de linguagem, IEL, UNICAMP, em 1995, estando aberto a pesquisadore
11:42 - 07/06/2006 Apagar
ÞerÞetµal night
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Alguns de seus textos foram traduzidos para o francês, inglês, italiano e alemã
Em março de 1997, seus textos Com os meus olhos de cão e A obscena senhora D foram publicados pela Ed. Gallimard, tradução de Maryvonne Lapouge, que também traduziu Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa.



OBRA

Poesia

Presságio - SP: Revista dos Tribunais, 1950.
Balada de Alzira - SP: Edições Alarico, 1951.
Balada do festival - RJ: Jornal de Letras, 1955.
Roteiro do Silêncio - SP: Anhambi, 1959.
Trovas de muito amor para um amado senhor - SP: Anhambi, 1959. SP: Massao Ohno, 1961.
Ode Fragmentária - SP: Anhambi, 1961.
Sete cantos do poeta para o anjo - SP: Massao Ohno, 1962. (Prêmio PEN Clube de São Paulo)
Poesia (1959/1967) - SP: Editora Sal, 1967.
Júbilo, memória, noviciado da paixão - SP: Massao Ohno, 1974.

Poesia (1959/1979) - SP: Quíron/INL, 1980.
Da Morte. Odes mínimas - SP: Massao Ohno, Roswitha Kempf, 1980.
...
11:43 - 07/06/2006 Apagar
ÞerÞetµal night
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...
Da Morte. Odes mínimas - SP: Nankin/Montréal: Noroît, 1998. (Edição bilíngüe, francês-português.)
Cantares de perda e predileção - SP: Massao Ohno/Lídia Pires e Albuquerque Editores, 1980. ( Prêmio Jabuti/Câmara Brasileira do Livro. Prêmio Cassiano Ricardo/Clube de Poesia de São Paulo.)
Poemas malditos, gozosos e devotos - SP: Massao Ohno/Ismael Guarnelli Editores, 1984.
Sobre a tua grande face - SP: Massao Ohno, 1986.
Alcoólicas - SP: Maison de vins, 1990.
Amavisse - SP: Massao Ohno, 1989.
Bufólicas - SP: Massao Ohno, 1992.
Do Desejo - Campinas, Pontes, 1992.
Cantares do Sem Nome e de Partidas - SP: Massao Ohno, 1995.
Do Amor - SP: Massao Ohno, 1999.


Prosa

Fluxo - Floema - SP: Perspectiva, 1970.
Qadós - SP: Edart, 1973.
Ficções - SP: Quíron, 1977. (Prêmio APCA/ Associação Paulista dos Críticos de Arte. Melhor livro do ano.)
Tu não te moves de ti - SP: Cultura, 1980.
A obscena senhora D - SP: Massao Ohno, 1982.
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11:45 - 07/06/2006 Apagar
ÞerÞetµal night
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Com meus olhos de cão e outras novelas - SP: Brasiliense, 1986.
O Caderno Rosa de Lory Lambi - SP: Massao Ohno, 1990.
Contos D'Escárnio/Textos Grotescos - SP: Siciliano, 1990.
Cartas de um sedutor - SP: Paulicéia, 1991.
Rútilo Nada - Campinas: Pontes, 1993. (Prêmio Jabuti/Câmara Brasileira do Livro.)
Estar Sendo Ter Sido - SP: Nankin, 1997.
Cascos e Carícias - crônicas reunidas (1992-1995) - SP: Nankin, 1998.


Teatro (inédito)

A Possessa - 1967.
O rato no muro - 1967.
O visitante - 1968.
Auto da Barca de Camiri - 1968.
O novo sistema - 1968.
Aves da Noite - 1968.
O verdugo - 1969 (Prêmio Anchieta)
A morte de patriarca - 1969.

Prêmios


Foram sete prêmios literários, no total. Em 1962, o Prêmio PEN Clube de São Paulo, por Sete Cantos do Poeta para o Anjo (Massao Ohno Editor, 1962). Em 1969, a peça O Verdugo arrebata o prêmio Anchieta, um dos mais importantes do país na época. A Associação Paulista dos Críticos de Arte (Prêmio APCA)
...
11:46 - 07/06/2006 Apagar

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