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Tópico: Du Bocage

ÞerÞetµal night
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Poeta português. Árcade e pré-romântico, sonetista notável, um dos precursores da modernidade em seu país.

Árcade e pré-romântico, Bocage foi um dos primeiros a anunciar a modernidade em Portugal, pelos conflitos que dão força e contundência a seu estilo poético.
Manuel Maria Barbosa du Bocage nasceu em Setúbal em 15 de setembro de 1765. Filho de um advogado sem recursos e de mãe francesa, em 1783 alistou-se na marinha de guerra, embarcando para a Índia três anos depois. Viveu em Goa, Damão e Macau. No regresso a Lisboa (1790), apaixonou-se pela mulher do irmão e se entregou à boêmia, escrevendo versos sobre a desilusão amorosa e as dificuldades materiais. Aderindo à Nova Arcádia com o nome de Elmano Sadino, logo satirizou os confrades a afastou-se do grupo, continuando rebelde, dissoluto, e obsedado pelo paralelismo biográfico com Camões.
Maior poeta da língua no século XVIII, Bocage é vítima até hoje de sua própria fama e dos preconceitos que despertou. Sonetista admirável e freqüentemente à altura de seu ídolo Camões, excede-o aqui e ali no arrojo e no niilismo dos motivos: "Louca, cega, iludida humanidade" é algo já distante da atitude clássica e tem um último verso que chega a parecer existencialista: "Pasto da Morte, vítima do Nada!" Assim é também seu individualismo, seu conflito entre o amor físico e a morte, sua morbidez e atração pelo horror, em meio a versos, às vezes, quase coloquiais. Bocage publicou apenas as Rimas (1791-1804), em três volumes. Seus versos eróticos e burlescos circulam até hoje em edições clandestinas. Morreu em Lisboa, em 21 de dezembro de 1805.

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.
00:32 - 14/03/2006

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Respostas ao tópico: Du Bocage

ÞerÞetµal night
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«MORTE, JUÍZO, INFERNO e PARAÍSO»
Em que estado, meu bem, por ti me vejo,
Em que estado infeliz, penoso e duro!
Delido o coração de um fogo impuro,
Meus pesados grilhões adoro e beijo

Quando te logro mais, mais te desejo,
Quando te encontro mais, mais te procuro,
Quando mo juras mais, menos seguro
Julgo esse doce amor, que adorna o pejo.

Assim passo, assim vivo, assim meus fados
Me desarreigam d’alma a paz, e o riso,
Sendo só meu sustento os meus cuidados:

E, de todo apagada a luz do siso,
Esquecem-me (ai de mim!) por teus agrados
«Morte, Juízo, Inferno e Paraíso».
(du Bocage)
00:36 - 14/03/2006 Apagar
ÞerÞetµal night
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*Saiba morrer o que viver não soube*

Meu ser evaporei na lida insana
do tropel de paixões que me arrastava.
Ah! Cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
em mim quase imortal a essência humana.

De que inúmeros sóis a mente ufana
existência falaz me não dourava!
Mas eis sucumbe Natureza escrava
ao mal, que a vida em sua origem dana.

Prazeres, sócios meus e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta e si não coube,
no abismo vos sumiu dos desenganos.

Deus, ó Deus!... Quando a morte à luz me roube
ganhe um momento o que perderam anos
saiba morrer o que viver não soube.

[Do meu caderno de Poemas - Bocage]
09:12 - 21/03/2006 Apagar
ÞerÞetµal night
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«NESTE HORRIVEL SEPULCRO da EXISTÊNCIA»


Neste horrível sepulcro da existência
O triste coração de dor se parte;
A mesquinha razão se vê sem arte,
Com que dome a frenética impaciência:

Aqui pela opressão, pela violência
Que em todos os sentidos se reparte,
Transitório poder que imitar-te,
Eterna, vingadora omnipotência!

Aqui onde o peito abrange, e sente,
Na mais ampla expressão acha estreiteza,
Negra idéia do abismo assombra a mente.

Difere acaso da infernal tristeza
Não ver terra, nem céu, nem mar, nem gente,
Ser vivo, e não gozar da Natureza ?

[Du bocage - arquivo perpetual nigth]
11:36 - 31/03/2006 Apagar
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Soneto Ditado na Agonia

Já Bocage não sou!... À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos Céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura;


Conheço agora já quão vã figura,
Em prosa e verso fez meu louco intento:
Musa!... Tivera algum merecimento
Se um raio da razão seguisse pura.


Eu me arrependo; a língua quasi fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:


Outro Aretino fui... a santidade Manchei!...
Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!.

15:01 - 19/04/2006 Apagar
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Liberdade, Onde Estás? Quem Te Demora

Liberdade, onde estás? Quem te demora?
Quem faz que o teu influxo em nós não Caia?
Porque (triste de mim!) porque não raia
Já na esfera de Lísia a tua aurora?

Da santa redenção é vinda a hora
A esta parte do mundo que desmaia.
Oh! Venha... Oh! Venha, e trémulo descaia
Despotismo feroz, que nos devora!

Eia! Acode ao mortal, que, frio e mudo,
Oculta o pátrio amor, torce a vontade,
E em fingir, por temor, empenha estudo.

Movam nossos grilhões tua piedade;
Nosso númen tu és, e glória, e tudo,
Mãe do génio e prazer, oh Liberdade!

20:14 - 03/06/2006 Apagar
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Ó tranças de que Amor prisões me tece,
Ó mãos de neve, que regeis meu fado!
Ó tesouro! Ó mistério! Ó par sagrado,
Onde o menino alígero adormece!

Ó ledos olhos, cuja luz parece
Tênue raio de sol! Ó gesto amado,
De rosas e açucenas semeado,
Por quem morrera esta alma, se pudesse!

Ó lábios, cujo riso a paz me tira,
E por cujos dulcíssimos favores
Talvez o próprio Júpiter suspira!

Ó perfeições! Ó dons encantadores!
De quem sois? Sois de Vênus? - É mentira;
Sois de Marília, sois dos meus amores.
15:12 - 08/06/2006 Apagar
Mendigo.
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Magro, de olhos azuis

Magro, de olhos azuis, carão moreno, Bem servido de pés, meão na altura, Triste de facha, o mesmo de figura, Nariz alto no meio, e não pequeno; Incapaz de assistir num só terreno, Mais propenso ao furor do que à ternura, Bebendo em níveas mãos por taça escura De zelos infernais letal veneno; Devoto incensador de mil deidades (Digo, de moças mil) num só momento, E somente no altar amando os frades; Eis Bocage, em quem luz algum talento; Saíram dele mesmo estas verdades Num dia em que se achou mais pachorrento.
19:10 - 03/08/2006 Apagar
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Bocage


Sobre estas duras

Sobre estas duras, cavernosas fragas, Que o marinho furor vai carcomendo, Me estão negras paixões n'alma fervendo Como fervem no pego as crespas vagas. Razão feroz, o coração me indagas, De meus erros e sombra esclarecendo, E vás nele (ai de mim!) palpando, e vendo De agudas ânsias venenosas chagas. Cego a meus males, surdo a teu reclamo, Mil objectos de horror co'a ideia eu corro, Solto gemidos, lágrimas derramo. Razão, de que me serve o teu socorro? Mandas-me não amar, eu ardo, eu amo; Dizes-me que sossegue: eu peno, eu morro.
19:12 - 03/08/2006 Apagar
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Bocage


Ó trevas, que enlutais a Natureza,

Ó trevas, que enlutais a Natureza, Longos ciprestes desta selva anosa, Mochos de voz sinistra e lamentosa, Que dissolveis dos fados a incerteza; Manes, surgidos da morada acesa Onde de horror sem fim Plutão se goza, Não aterreis esta alma dolorosa, Que é mais triste que voz minha tristeza. Perdi o galardão da fé mais pura, Esperanças frustrei do amor mais terno, A posse de celeste formosura. Volvei, pois, sombras vãs, ao fogo eterno; E, lamentando a minha desventura, Movereis à piedade o mesmo Inferno.
19:13 - 03/08/2006 Apagar
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Bocage


Meu ser evaporei na lida insana

Meu ser evaporei na lida insana Do tropel de paixões, que me arrastava. Ah! Cego eu cria, ah! mísero eu sonhava Em mim quase imortal a essência humana. De que inúmeros sóis a mente ufana Existência falaz me não dourava! Mas eis sucumbe a Natureza escrava Ao mal, que a vida em sua origem dana. Prazeres, sócios meus e meus tiranos! Esta alma, que sedenta em si não coube, No abismo vos sumio dos desenganos. Deos, oh Deos!... Quando a morte a luz me roube, Ganhe num momento o que perderam anos, Saiba morrer o que viver não soube.
19:14 - 03/08/2006 Apagar
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Bocage


Ó retrato da Morte! Ó Noite amiga,

Ó retrato da Morte! Ó Noite amiga, Por cuja escuridão suspiro há tanto! Calada testemunha de meu pranto, De meus desgostos secretária antiga! Pois manda Amor que a ti sòmente os diga Dá-lhes pio agasalho no teu manto; Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto Dorme a cruel que a delirar me obriga. E vós, ó cortesãos da escuridade, Fantasmas vagos, mochos piadores, Inimigos, como eu, da claridade! Em bandos acudi aos meus clamores; Quero a vossa medonha sociedade, Quero fartar o meu coração de horrores.
19:15 - 03/08/2006 Apagar
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Bocage


Já sobre o coche de ébano estrelado

Já sobre o coche de ébano estrelado, Deu meio giro a Noite escura e feia, Que profundo silêncio me rodeia Neste deserto bosque, à luz vedado! Jaz entre as folhas Zéfiro abafado, O Tejo adormeceu na lisa areia; Nem o mavioso rouxinol gorjeia, Nem pia o mocho, às trevas acostumado. Só eu velo, só eu, pedindo à Sorte Que o fio com que está mih'alma presa À vil matéria lânguida, me corte. Consola-me este horror, esta tristeza, Porque a meus olhos se afigura a Morte No silêncio total da Natureza.
19:16 - 03/08/2006 Apagar

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